Bicicloteca
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Bicicloteca

E eu, no entanto, livro nas mãos
sentado no banco
viajo além do vai-vém
daqueles a quem o ponto é um pranto
que escorre porquanto o busão não vem

A pressa é um manto
cobrindo a visão dos homens
que de correr tanto
não vêem nem céu nem chão
Que dirá o livro em branco
que cada olhar manso têm

Todos, porém, que passem
e voltem depois do trampo
se seguem o cotidiano santo
que não perdoa ninguém
Mas vão levando entre os dedos
páginas mais de cem
Pois diante da letra impressa
os olhos, sem pressa, lêem
e muitos descrentes crêem
e os cegos do mundo vêem
na vida, tantos encantos
E mais que isso também
encontram o acalanto
que só o verso contém

Da língua brota o verbo
Faz-se verão no inverno
e vê-se um pouquinho além
daquele velho canto
que as serpentes proferem
sempre nos enganando

E eu, no entanto, livro nas mãos
sentado no banco
ouço a canção do tempo
e o momento em dissipação
é como uma oração
(Contemplo na condução
crianças lendo ávidamente
pasmem, estão contentes)
e as nuvens dizem amém

A sonda espacial
O porta-caças naval
ferindo a lua e o oceano
São meros brinquedos caducos
perto da bicicleta
Livreira celestial
Veículo dos poetas
Sondando no ponto de ônibus
O insólito sonho humano
A chama primordial

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